Obesidade – Síndrome Metabólica

A obesidade é atualmente um grande problema de saúde pública. Nas últimas décadas observou-se uma mudança de padrão nutricional no Brasil. A desnutrição que era um grande problema deu lugar a um aumento expressivo da incidência de pacientes com sobrepeso e obesidade. Um estudo realizado e divulgado pelo IBGE dia 28 de novembro de 2012 indica que crianças e adolescentes brasileiros apresentam índices mais altos de excesso de peso do que baixo peso. O estudo afirma que 33,5% das crianças de cinco a nove anos estão com sobrepeso e apenas 4,1% estão na faixa de déficit. Entre os jovens com idade entre 10 e 19 anos esse estudo indica que 20,5% apresentam sobrepeso e apenas 3,4% magreza. Para adultos calcula-se que atualmente existam cerca de 18 milhões de pessoas obesas.
adulto obeso

Diagnóstico de obesidade A obesidade é caracterizada pelo acúmulo de gordura corporal. O melhor parâmetro para seu diagnóstico é a utilização do índice de massa corporal (IMC), calculado através de da divisão do peso pela altura elevada ao quadrado.
(CALCULE SEU IMC AQUI AO LADO >>).

Calculadora IMC

Outro dado importante a ser considerado é a disposição da gordura corporal. O acúmulo de gordura abdominal medido através da circunferência abdominal está relacionado ao aumento de gordura visceral que é um fator de risco para o desenvolvimento de Diabetes tipo II (link DIABETES TIPO II), hipertensão arterial, alterações das gorduras no sangue (dislipidemias) e doenças cardiovasculares.

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A avaliação da composição corporal pode ser feita através da medida das pregas cutâneas ou pelo uso de aparelhos de Bioimpedância.

Riscos da Obesidade:
Chamamos de SÍNDROME METABÓLICA a associação de vários fatores de risco que chamamos de comorbidades. Os pacientes que apresentam obesidade associada a essas comorbidades têm chances muito altas de apresentarem eventos vasculares como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.

O risco do desenvolvimento de Diabetes tipo II (DM II) no paciente obeso é proporcional à gravidade da obesidade. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que tem como função principal transportar a glicose (açúcar) do sangue para o interior das células. A obesidade, principalmente em pessoas com história de Diabetes na família, faz com que o organismo tenha que liberar uma quantidade muito grande de insulina para desempenhar esse papel. A isso chamamos RESISTÊNCIA À INSULINA (RI). Além do desenvolvimento de DM II, a RI aumenta o risco do desenvolvimento de hipertensão arterial e doenças vasculares.

A obesidade também está relacionada a outros problemas de saúde como os abaixo:

  • Doença respiratória: apnéia do sono;
  • Problemas ortopédicos de origem mecânica;
  • Cálculo de vesícula, acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática);
  • Problemas reprodutivos: Síndrome dos ovários policísticos, sangramento uterino, câncer de endométrio;
  • Alterações psicossociais: ansiedade, depressão, baixa autoestima, isolamento social.

Causas de obesidade:
A grande maioria dos casos de obesidade surge pelo desequilíbrio entre a ingestão de calorias e o gasto energético, ou seja, por erros alimentares e sedentarismo. Sabemos que existe um componente genético, familiar, favorecendo o acúmulo de gordura que podem e devem ser corrigidos com alimentação saudável e exercícios físicos. Algumas síndromes genéticas, o uso de medicamentos (glicocorticóides, antidepressivos) e alterações na glândula supra-renal podem ser a causa da obesidade. O hipotireoidismo deve ser sempre pesquisado mas, ao contrário do que muitos pensam, não é causa de grande ganho de peso. É fundamental a avaliação médica para excluir essas possibilidades.
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Dados importantes em relação à Obesidade infantil:

  • Existe associação entre obesidade na criança e o índice de massa corporal (IMC) dos pais: 75% de chance de crianças serem obesas se ambos os pais forem obesos e 25 a 50% se apenas um dos pais;
  • 40% das crianças com sobrepeso continuarão a ganhar peso na adolescência ;
  • 75 a 80% dos adolescentes obesos se tornarão adultos obesos;
  • A inatividade física avaliada por horas assistindo televisão (acima de 8 horas por semana) está relacionada ao desenvolvimento de obesidade;
  • O aleitamento materno é um fator de proteção;
  • Um ganho excessivo de peso precocemente na vida (antes dos cinco anos de idade) está relacionado a uma dificuldade de perda de peso na adolescência e vida adulta.
A INTERVENÇÃO PRECOCE COM MODIFICAÇÃO DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR PODE PREVENIR A OBESIDADE NA ADOLESCÊNCIA E NA IDADE ADULTA.

Avaliação médica

O atendimento do paciente obeso deve ser iniciado por uma consulta médica, onde vários parâmetros serão avaliados, a saber:

  • Identificação da causa da obesidade: a maioria (95%) é de causa nutricional mas é importante afastar outras causas ;
  • Avaliação alimentar: aleitamento materno, introdução de alimentos, uso de farináceos, alimentação da família.
  • Avaliação da história familiar de: obesidade, Diabetes, doença coronariana, hipertensão arterial, doença vascular, doenças da tireóide.
  • Peso ao nascer, idade de início do ganho de peso
  • Atividade física
  • Hábitos: horas assistindo televisão, computador
  • Escolaridade
  • Inserção social
  • Sono
  • Dores nos membros, problemas ortopédicos
  • Ciclo menstrual

Exame físico

Avaliação dos índices antropométricos:

  • Peso e altura
  • Cálculo do IMC (Índice de massa corporal)
  • Circunferência abdominal
  • Análise da composição corporal: quantifica o percentual de massa magra e gorda do organismo
  • Pesquisa de sinais de doenças endócrinas
  • Pesquisa de sinais de resistência ‘a insulina: gordura predominantemente abdominal e presença de acantose nigricans que são manchas escuras elevadas na pele da nuca e dobras.

TRATAMENTO DA OBESIDADE

OBJETIVO

  • Reduzir o peso
  • Tratar as comorbidades (hipertensão arterial, dislipidemias, Diabetes, apnéia do sono, esteatose hepática)
  • Reconhecer e cuidar dos distúrbios psicosociais
  • Melhorar a qualidade de vida
  • Aumentar a sobrevida

ESTRATÉGIA

– Modificação dos hábitos alimentares: avaliação e acompanhamento regular com NUTRICIONISTA.
– Para crianças abaixo de 7anos de idade com sobrepeso, a Academia Americana de Pediatria recomenda prevenir o ganho de peso posterior com orientações nutricionais e atividade física. Acima dos sete anos de idade com obesidade ou sobrepeso com comorbidades aconselha-se a perda de peso.

Atividade física:

A atividade física é parte fundamental do tratamento da obesidade. Além de auxiliar na perda de peso através do aumento do gasto calórico, também ajuda a prevenir complicações como a hipertensão arterial, o Diabetes e as doenças vasculares. Antes de se iniciar a prática de exercícios físicos é necessária uma avaliação clínica e cardiológica. O exercício físico deve ser sempre acompanhado do cálculo das necessidades nutricionais pelo nutricionista
Recomendações de atividade física para adultos com sobrepeso e obesidade
A prática de exercícios físicos para pacientes com sobrepeso e obesidade é altamente recomendada e faz parte do tratamento. Algumas recomendações importantes:

  • Avaliação clínica e cardiológica antes do início da prática
  • Evitar exercícios de alto impacto pelo risco de lesões ortopédicas. As atividades na água como natação e hidroginástica são interessantes nesse sentido.
  • Iniciar com exercícios leves e fortalecimento muscular
  • Substituir as atividades diárias de pouco gasto energético por outras com maior impacto (ex: subir escadas, substituir o carro por caminhadas, etc)
  • Os adultos devem ser encorajados a praticar no mínimo 30 minutos por dia em cinco vezes por semana de atividades moderadas. Para indivíduos que atingiram este nível de treinamento, mas ainda estão acima do peso, um aumento de atividade física seria razoável como componente de qualquer estratégia para perda de peso.

Acompanhamento psicológico/ suporte emocional

Medicações:

O tratamento da obesidade é feito predominantemente por modificações de hábitos de vida – alimentação e atividade física. Atualmente apenas a Sibutramina e o Orlistat estão liberadas para o tratamento da obesidade com recomendações específicas levando-se em consideração a relação risco-benefício. A utilização de medicamentos deve ser sempre feita por recomendação médica.

PREVENÇÃO DA OBESIDADE INFANTIL

Deve se feita de forma precoce e rigorosa
1. Evitar a obesidade durante a gestação
2. Respeitar o apetite da criança.
3. Priorizar o aleitamento materno exclusivo.
4. Introduzir outros alimentos só a partir do 6o mês.
5. Limitar a quantidade de alimentos calóricos guardados em casa.